sexta-feira, dezembro 01, 2006

RANCOZINHO - Capela de Santo Eloi

Capela humilde mas muito antiga, fica situada no centro da povoacao. Foi modificada em tempos recentes tendo sido alteado o campanario. Junto dela existe ou existia uma "laija" (lage) onde por ordenacao episcopal, foi decretado no seculo XVIII "...que era proibido malhar cereais..."

DEZEMBRO - EVENTOS

Continuando a divulgar o que se vai fazendo, por Algodres e suas terras, vou reportar-me aos eventos de Dezembro por mim conhecidos:

PROVA TT EM BICICLETA: Vila Ruiva, Fornos de Algodres.

Organizada pela Camara Municipal, Club Esgalhada TT, e Inatel, (com centro de Ferias em Vila Ruiva) vai realizar-se hoje dia 1 e amanha dia 2, uma prova ciclistica pelas "terras de Algodres" e pelas terras do antigo concelho de Linhares.
Embora ja seja tarde para inscricoes, podem consultar o programa em:http://www.inatel.pt/desporto/docs/vilaruiva/vruiva.html

Dia 1 de Dezembro:
Festa de Santo Eloi- Rancozinho, Algodres, Fornos d'Algodres.
Santo patrono dos ourives (ainda gostava de saber como veio parar aqui!) celebra-se nesta progressiva aldeia no primeiro dia do mes, outrora era uma festa muito mais concorrida, mas devido a imigracao, que levou muitos dos residentes, foi decidido transferir esta festa para o mes de Agosto. No entanto neste dia (creio que ainda) realizam-se algumas cerimonias religiosas e, um magusto popular entre as gentes da terra. (creio que se aceitam tambem forasteiros)
Alem disso e um feriado nacional, em que deviamos lembrar a coragem dos que conseguiram livrar Portugal do dominio estrangeiro.

FESTAS NATALICIAS:

24 E 25 de Dezembro:

Nas nossas terras o grande dia e a vespera de Natal "a consoada" todas as aldeias tem mais alegria pois e nessa noite se juntam as familias. (as possiveis)
Dizia a tradicao que nao se devia comer carne nesse dia, entao o bacalhau era o rei, cozido com as ricas "couves de cortar" e regado com o saboroso azeite beirao, mas tambem assado, em pasteis, e em outros modos.
No final da ceia era hora de fazer as "filhos" que a seguir se comiam com o bom queijo "Serra" "manteigudo", enquanto se esperava pela missa do galo. (creio que ja nem essa missa fazem)
No largo principal da aldeia entretanto ardia o "madeiro", sempre acompanhado por rapaziada de todas as idades, que para vencer o frio as vezes intenso, ia bebendo um copito de vinho ou de jeropiga.

Faco esta descricao sobre o ultimo Natal que por la passei, ja la vao mais de 15 anos, (e que saudade desse tempo, e da gente que ja se foi.)

O dia 25, era dia de abrir as prendas, que eram dadas pelo menino Jesus, (ainda nao tinham inventado o pai natal) vai-se tambem a Missa e ao "beijar do Menino", para alem disso era um dia de feriado normal.

31 de Dezembro:

Festa de S. Silvestre: Figueiro da Granja, Fornos de Algodres.

Como se comeca o mes com uma festa, tambem se termina(va) com outra.
O S. Silvestre foi um papa que chegou a santo. Nao sei porque, mas na minha regiao e o protector do gado suino, (quero dizer porcos, ou "bacoros" como antigamente se dizia)
Celebra-se nesta freguesia de Figueiro da Granja, numa capela situada num ermo, mas relativamente proxima desta antiga vila.
A sua volta existe um adro onde se realizava uma pequena feira e, em dia da festa ofereciam-se ao santo, produtos derivados do animal que supostamente era por ele protegido; (so o nao protegia da morte) Presuntos, chouricas, e as vezes ate porcos inteiros, que seguidamente as cerimonias religiosas, eram leiloados.
Esta festa ja ha muito que nao se realiza nestes termos, mas seria interessante re-activa-la.
A ultima vez que por la estive o "pobre S. Silvestre", so teve direito a passear de andor no dia de S. Sebastiao, festa a que me referirei no proximo mes.

Desculpem me os meus amigos, mas este mes e mais sentimental que real.


segunda-feira, novembro 27, 2006

CASAL VASCO "nas minhas humildes quadras"


Foste o berco de Caceres,
Que te tornaram famosa.
Tens uns grandes freixos no Rossio,
E uma igreja formosa.

Tambem tens a Senhora da Graca,
E a Virgem da Encarnacao.
Mas foi o Senhor dos Loureiros,
Que me inspirou esta cancao.

quinta-feira, novembro 23, 2006

o CASAL (do senhor) VASCO


Capela de Nossa Senhora da Encarnacao (fotografia obtida do site do municipio de Fornos de Algodres.)

Segundo o monsenhor Pinheiro Marques na sua monografia "Terras de Algodres", o toponimo "Casal Vasco" tem que ver com o facto desta povoacao ter tido origem num "casal", ou quinta, propriedade de um tal "senhor Vasco". A ser assim, teria sido na epoca romana ou alto-medieval, no entanto tanto quanto eu saiba, nao existe nenhum documento que possa confirmar esta suposicao.
Nas inquiricoes de 1258 de D. Afonso III nao aparece mencionada esta povoacao, mas isto por si so, nao descarta a existencia desta terra ja nessa altura.
O que sim se sabe, e que nesta aldeia ou casal, assentaram "solar" uns fidalgos vindos de Castela em fins do seculo XIV, de apelido Mendes de "Caceres", (no pais vizinho existe uma cidade e uma provincia, com este mesmo nome) a quem o rei D. Fernando concedeu anos mais tarde, o senhorio das Vilas de Algodres e Penaverde e, as alcaidarias-mores de Penamacor e da Guarda. O primeiro destes "senhores" documentado; foi Alvaro Mendes de Caceres.(NFP, vol. III, pag. 168)

Ora destes fidalgos o mais antigo conhecido, foi Gonzalo de Caceres e, depois dele nao conheco nenhum que tivesse por nome: Vasco, pelo que a ser verdade a tese do monsenhor, so podera ser que estes "Caceres", em vez de terem vindo de Castela, tenham vindo da Viscaia e sejam Bascos ou Vascos, de origem e nao de nome!

Para alem das referencias aos Caceres esta povoacao so aparece documentada em 1525 no "cadastro da populacao do reino" de D. Joao III, tendo nessa altura o toponimo de "Casal Vasio", sera que foi pelo facto destes "Caceres" ja terem abandonado o solar da familia?
De facto ja por essa altura esta familia tinha perdido a varonia, o ultimo documentado foi Simao Cardoso de Caceres em 1520 e, foi ja o referido D. Joao III, que concedeu o senhorio de Algodres e de Fornos aos Noronhas, depois de ter criado o condado de Linhares em seu favor.
De uma linha colateral desta familia que passou a residir em Lisboa, saiu Alvaro Goncalves de Caceres que foi cronista-mor do reino, a quem o rei D. Afonso V concedeu brasao de armas de merce nova em 1459 (DFP D. Luiz de Lancastre Quetzal, Tavora editora 2a. edicao, Lisboa)

Anos mais tarde nao sei precisar quando, os ultimos Caceres ter-se-ao extinguido na familia "Albuquerque", "senhores da Casa da Insua", tendo estes herdado as propriedades, o solar, (onde colocaram o seu brazao, creio que no seculo XVIII) e a capela, passando tambem a usar o apelido "Caceres".

Para alem da familia mencionada, residiram tambem por aqui as familias "Mello e Figueiredo, que tambem eram aparentados com os primeiros; Constituiram um vinculo patrimonial no seculo XVI, na capela de Santo Antonio e Santa Catarina sua propriedade, esta capela presentemente tem o orago de: Senhor do Loureiro ou Santo Cristo dos Loureiros e, a ela me referirei mais adiante.

Nesta aldeia e sede de freguesia, existe vario patrimonio edificado que suscintamente me refiro a seguir.

- Solar dos Caceres; e uma casa muito antiga em granito, com fundacao recuando ao seculo XIV, nela sobresaem as janelas quinhentistas, com a particularidade de todas terem cantaria com lavores diferentes, o ja referido brazao dos "Albuquerques" a cornija rematada por corucheus e, um portal em arco de volta inteira. (presentemente encontra-se bastante arruinada, e a necessitar restauro!)

- Capela da Senhora da Encarnacao; Belissima construcao em granito com ameias, com um campanario romanico a rematar a fachada principal. Nesta capela foi instituido um vinculo patrimonial por Luiz de Caceres em 2 de Setembro de 1481 (*).
Nas paredes exteriores podem ver-se algumas pedras sigladas da epoca medieval.
Presentemente este templo pertence a paroquia, tendo sido cedido pela "Casa da Insua", foi restaurado recentemente e encontra-se belamente conservado.

- Capela do Senhor dos Loureiros; fundada no seculo XVI, foi aqui que os "Melo de Figueiredo" instituiram um vinculo em 21 de maio de 1544 (*), nessa altura tinha como oragos Santo Antonio e Santa Catarina.
Creio que tera passado para a paroquia no seculo XVIII, passando nessa altura a ter o actual Patrono.
A construcao e renascentista com cornija e portal de verga recta, ladeado por duas pequenas janelas emolduradas. Debaixo de uma delas encontra-se uma escultura de uma cabeca humana, ja muito desgastada pelo tempo, que e sem duvida bastante anterior e estranha a capela, devendo ai ter sido agregada na altura da construcao, faria provavelmente parte de alguma escultura pre-romana.

- Igreja Matriz; templo barroco com torre sineira de quatro ventanas, data do seculo XVIII, e tera sido construido sobre o que foi um outro mais antigo. Na construcao resaltam as pilastras, a cornija, o frontao com volutas, os curucheus e, na torre sineira uma escultura de uma cabeca humana de expressao "demoniaca".
O orago: Santo Antonio, creio que tera sido proveniente da antiga capela com aquela denominacao, referida anteriormente, pelo em tempos mais remotos deve ter tido outro.
No interior desta igreja existem alguma lapides sepulcrais, ja com inscricoes bastante erroidas.

- Capela de Nossa Senhora da Graca; Fica situada no "Rossio" e junto a uns freixos seculares. E uma pequena capela renascentista, que datara quando muito do seculo XVII. Tem um pequeno campanario em cantaria e um portal com verga curva.

- Para alem deste patrimonio, encontra-se quase em frente ao solar dos Caceres, uma antiga casa oitocentista de balcao em granito. Nela destacam-se belas portas e janelas emuldoradas em cantaria, a pedir uma restauracao cuidada.
Tambem nos limites desta freguesia encontam-se duas sepulturas escavadas na rocha, sendo uma delas antropomorfica.

- Ainda do mencionado nesta freguesia existe a antiga Quinta das Relvas, com uma casa senhorial e capela privativa, nao consegui descobrir a que familia pertenceu, embora ja bastante descaraterizada, foi recentemente recuperada para turismo de habitacao.

(NFP: Nobiliario das Familias Portuguesas)
(DFP: Dicionario das Familias Portuguesas)
(*): Documentos em posse do senhor Francisco da Costa Cabral, que gentilmente me cedeu esta informacao.

quinta-feira, novembro 16, 2006

FORNOS DE ALGODRES "divulgacoes de interesse" (ou nao)

Judeus em Terras de Algodres: FORNOS DE ALGODRES "divulgacoes de interesse" (ou nao)

Parece que ainda nao aprendi a colocar links, pelo que podem encontrar esta informacao no: http://judeusterrasdealgodres.blogspot.com

E acerca de um passeio Micologico.

Bem haja MicrobioII, por me avisar acerca do link.

quarta-feira, novembro 01, 2006

NOVEMBRO "Mes das Almas"

Dando seguimento a divulgacao de actividades relacionadas com festas e romarias, tenho neste Novembro de fazer uma pausa, pois tanto quanto sei nao se realiza nenhuma dessas actividades no Municipio de Fornos.

Inicia-se este mes com a festa de "Todos os Santos" que por ser feriado nacional e aproveitado pela grande maioria, para visita dos ente queridos ja falecidos aos cemiterios, coisa que deveria ser feita amanha dia dos "Fieis Defuntos". Isto ate me faz vir a mente o seguinte: Entao e os defuntos que nao tiverem sido "fieis", nao tem direito a nada?

Era normal (nao sei se ainda e) nesta segunda efemeride, em todas as freguesias (ou quase) uma prossicao "das Almas" aos cemiterios paroquiais, que anteriormente eram arranjados primorosamente com flores e velas.

Tambem ainda durante este mes podem visitar, a exposicao "Devocao das Almas", no CHIAFA (museu) de Fornos de Algodres.

Nao e de esquecer tambem, que embora nao tenhamos (tanto quanto saiba) por ca nenhuma capela a S. Martinho, sao normais os "magustos" populares e familiares que a pretexto de celebrar esse santo, (dia 11) sao motivos de convivio em que se prova a agua-pe, enquanto se comem as boas castanhas beiras.

Alem disso tambem no dia primeiro, sempre se pode e deve ir a Mangualde aqui tao perto, comer as "benditas feveras (ou "febras") dos santos", naquela feira tao antiga.

quarta-feira, outubro 25, 2006

CADOICO ou "Cadouco" Continuacao

Talvez nao tenham reparado, mas quando me comecei a referir, as varias povoacoes do concelho de "Fornos", decidi colocar nas entradas umas quadras. A maior parte delas sao de minha autoria, embora possam quando em vez, aparecer algumas populares incluidas.
Queiram desculpar-me pela minha falta de geito, "mas quem faz o melhor que sabe e pode", a mais nao e obrigado, assim me ensinaram.

Entao aqui vao duas quadras dedicadas ao Cadoico, que tinham ficado atrazadas:

Esta aldeia do Cadoico,
Tem boa gente, e boa terra.
Mas esta de costas para Fornos,
Virada para a Mesquitela.

Esta muito bem situada,
Junto a ribeira e virada a "Estrela",
E Nossa Senhora das Preces,
Esta numa antiga capela.

sexta-feira, outubro 20, 2006

CADOICO (Com cedilha no c)

E uma graciosa povoacao, situada no planalto de "Alem Mondego" ou "Pe de Serra" e junto a Ribeira de Linhares, onde foi recentemente construida uma aprazivel praia fluvial.
Esteve ate 1855 junto com a freguesia da Mesquitela, englobada no antiquissimo concelho de Linhares, tendo nesse ano passado para o de Celorico da Beira, devido a extincao daquele concelho.
Por decreto de 13 de Janeiro de 1898, foi desanexada da freguesia da Mesquitela e incluida na de Juncais, passando com esta freguesia a pertencer ao municipio de Fornos de Algodres.
Do seu toponimo, que ainda em fins do seculo XIX era "Cadouco", (com cedilha) nao consigo com os meus fracos conhecimentos encontrar origem.
Embora como informei tivesse passado a pertencer a Juncais, esta mudanda foi so a titulo da jurisdicao civil, pois ate hoje, continua a fazer parte da paroquia de Nossa Senhora do Rosario da Mesquitela, o que quanto a mim nao fara muito sentido, mas as demarcacoes civis e religiosas quase nunca sao coincidentes, e a Igreja Catolica la tera as suas razoes.
Nesta aldeia existe uma capela de invocacao de Nossa Senhora das Preces, o templo deve datar do seculo XVII ou XVIII, tem boa cantaria , mas o que sobressai mais na fachada e o que aparenta ser uma concha ou "vieira", havendo em Juncais quem queira relacionar este simbolo com o culto de S. Tiago (patrono daquela freguesia) e ao mesmo tempo incluir este templo nalgum dos "caminhos de S. Tiago".
Ate podera haver alguma relacao, no entanto eu nao o considero, porque pertencendo esta capela a Igreja da Mesquitela desde sempre, nao conheco ai nenhum culto a S. Tiago, alem disso esta cantaria e sem grandes duvidas oitocentista, quando as romagens a Compostela, ja estavam em desuso na nossa regiao.
Para alem do referido, existe nesta capela um campanario antigo, que sera originario de construcao anterior, nele podem ver-se varias gravacoes entre as quais algumas cruzes da Ordem de Malta. Podendo a construcao original ser devida a accao de algum cavaleiro daquela Ordem.
Nesta povoacao existe escola "primaria" desde principios do seculo XX, no entanto foi desactivada a cerca de quatro anos por falta de alunos. O edificio data de 1940 tendo sido construido durante a celebracao dos "Centenarios Nacionais".
Embora com uma populacao envelhecida, esta aldeia encontra-se bastante bem conservada, com ruas e escadarias cuidadas e com candieiros de iluminacao estilo antigo.
A titulo de curiosidade devo registar, que residiu ate ao seu falecimento nesta terra, um individuo que foi durante anos o homem mais velho de Portugal. Chamava-se: Jose Ferreira de Andrade, era natural de Figueiro da Granja, e faleceu no ano 2000 com 109 anos de idade. Teve a profissao de alfaiate, conservando ate a sua morte todas as suas faculdades fisicas e mentais, era uma pessoa extrovertida e com atributos de poeta popular.

quarta-feira, outubro 18, 2006

BARREIRA

A Barreira e uma pequena povoacao, que ha falta de mais informacao, creio datar tambem do seculo XVI ou XVII, tal como as Aveleiras, sempre esteve incluida na freguesia de Queiriz e ate 1836, ao concelho de Penaverde, altura em que com o resto da freguesia passou para o de Fornos.
O seu toponimo, tanto podera derivar de pequena encosta, como de "barreiro". (sitio onde existe barro) Teve origem numa quinta e, ainda hoje nao passa de uma pequena povoacao.
Tanto quanto tenho conhecimento, nao existe nesta terra nenhum monumento nem nada que mereca especial realce.

Quinta ou "povo" da Barreira,
Freguesia de Queiriz.
Tem pouca mas boa gente,
Pois foi assim que Deus quiz.

quarta-feira, outubro 11, 2006

AVELEIRAS

Depois de me ter referido, (historicamente) a cada um dos antigos concelhos incluidos nas "Terras de Algodres", vou referir-me a partir de hoje as varias povoacoes do actual concelho de Fornos de Algodres.
Porque embora umas maiores que outras, para mim todas as localidades sao importantes, vou iniciar por ordem alfabetica, e, como me ja referi a Algodres, hoje e a vez de: "AVELEIRAS"

Como o nome quer indicar, embora nem sempre o que parece e, suponho que a toponimia desta povoacao tenha que ver com a "avelanzeira", (planta das avelas)
naturalmente e uma planta, que se da muito bem na regiao, havendo-as em abundancia a altura da fundacao, devera ter sido a razao do toponimo a aldeia.

Esta pequena povoacao sempre pertenceu a freguesia de Queiriz, que e antiquissima pois dela ja ha referencia documental desde o seculo XII.
No entanto suponho que esta aldeia deve datar quando muito do seculo XVI.
Tal como Queiriz, pertenceu ao extinto concelho de Penaverde, ate que em 1836 passou com a freguesia para o de Fornos de Algodres.

Para alem da Capela do Divino Espirito Santo, nao existe nesta terra nenhum outro monumento, esta capela data do seculo XVIII e embora um pouco adulterada enquadra-se dentro do estilo popular beirao onde o granito impera. Aqui se realiza uma festa a Terceira Pessoa da Trindade crista, mas como e uma festa movel nao tem data certa, sendo normalmente em Maio ou Junho.

Querida aldeia das Aveleiras,
Freguesia de Queiriz.
Aqui tem o Espirito Santo,
Uma capela, que o povo fez de raiz.

segunda-feira, outubro 02, 2006

OUTUBRO Festas e Romarias

Como o prometido, ca estou novamente a divulgar as festas e romarias do Concelho de Fornos de Algodres, deste mes de Outubro. (as por mim conhecidas)

Como o verao ja terminou, tambem tendem cada vez a ser em menor numero, no entanto ainda se realizam algumas:

Outubro; "Mes da SENHORA DA SAUDE"

Terceiro fim de semana: Juncais.

Nesta aldeia realiza-se desde a decada de trinta do seculo passado, a festa em honra de Nossa Senhora da Saude, consta de arraiais populares nas noites de Sabado e Domingo, em que se podem apreciar os petiscos regionais entre os quais o afamado "peixinho do Rio".
No domingo realizam-se as normais missa solene e prossicao, pelas ruas da aldeia.

Esta festa que nao tem muita razao de ser, comecou a realizar-se quando a povoacao de Vila Soeiro do Chao, foi desagragava desta freguesia e constituiu freguesia propria, pois naquela aldeia que ate aos anos trinta, fazia parte desta freguesia, desde tempos imemoriais se celebra esta denominacao de Maria.


Quarto fim de semana: Vila Soeiro do Chao.

E uma das mais concorridas romarias e festas do concelho de Fornos. A Senhora da Saude comemora-se nesta aldeia desde ha muito tempo, junta romeiros do nosso concelho e principalmente de grande parte do de Celorico da Beira.
Para alem das romagens pessoais aqui tambem se realizam as tradicionais "romarias de ovelhas" ja descritas nesta seccao do mes de Setembro. (previous posts)

Tal como a anterior consta de arraiais populares, nas noites de Sabado e Domingo, com missas e procissoes, sendo de realcar o final "adeus a Virgem" no final da procissao solene.

Esta invocacao da Virgem Maria: "Senhora da Saude" causa desde tempos mais remotos (e ainda hoje) uma rivalidade muito acentuada entre as povoacoes de Vila Soeiro e Juncais, pois quando a capela desta aldeia foi elevada a categoria de igreja paroquial, consta que os naturais desta nova freguesia, foram ao limite de Juncais buscar uma pedra, com a qual desejavam esculpir a pia batismal, talvez para se afirmarem ainda mais como independentes.
Acontece que sabendo isto os de Juncais, vieram pela noite tentar "roubar" a bendita pedra, mas os naturais desta aldeia nunca o permitiram, e certo que nunca a pia batismal foi esculpida naquela pedra, que presentemente se encontra cimentada num dos largos desta terra.
Tambem tentaram por varias vezes levar para a igreja de S. Tiago de Juncais a imagem da Virgem, pelo que para obviar esse possivel desvio, a populacao decidiu mandar fazer uma outra imagem, que se conserva todo o ano na paroquial de Vila Soeiro do Chao e a imagem original foi entregue a ordem da familia Castilho, so dai saindo no dia da festa, para as celebracoes e prossicao.
Nunca tendo conseguido os seus intentos, os habitantes de Juncais nao lhes restou outra alternativa que mandar fazer outra imagem da Virgem Maria (que por sinal e bem diferente desta de Vila Soeiro) com a mesma invocacao, com a qual celebram a festa no fim de semana anterior.
No entanto ate a pouco tempo (nao sei se ainda hoje) neste mesmo fim de semana realizava-se uma nova festa popular em Juncais para competir com a freguesia de Vila Soeiro do Chao.
A igreja de Vila Soeiro do Chao, embora com um interior mais moderno e dentro das recomendacoes do concilio Vaticano II, feito na decada de setenta do seculo XX. Conserva o seu exterior original, e barroco e com boa contaria com volutas e outros efeitos decorativos deste estilo, data do seculo XVIII.


Exposicao "Outros Olhares": Fornos de Algodres.

Encontra-se ate ao dia 16 de Outubro, uma exposicao interessante no edificio municipal desta vila, com o titulo "Outros Olhares". E da responsabilidade do Museu de Zoologia da Universidade de Coimbra e parte do programa de divulgacao, daquele novel museu.
Vao ve-la que e interessante.

Continua tambem neste mes de Outubro no: CHIAFA (Museu Arquelogico de Fornos de Algodres) a exposicao; "Devocao das Almas", promovida pela junta de freguesia de Juncais, foi inaugurada no passado mes de Setembro, dentro do programa das Jornadas Europeias do Patrimonio.

Para o mes que vem ca estarei novamente. Entretanto se tiverem tempo, venham ver coisas diferentes nas "Terras de Algodres".

sábado, setembro 30, 2006

"CASAL OU CASAIS DO MONTE"

Como o nome indica, esta extinta vila teve origem num casal, situado numa pequena elevacao sobranceira a Queiriz, presentemente a sede da freguesia.
E terra muito antiga, pois ja existia em fins do seculo XIII e aparece mencionada no foral de Penaverde, concedido pelo rei D. Sancho I, ai se referia esta terra da seguinte forma: (....e o casal do monte que e do espital...). Era portanto ja nessa altura propriedade da Ordem Hospitalaria, embora estivesse dentro do termo daquele concelho.

Em data incerta, essa mesma Ordem, ou ja a de Malta sua sucessora, concedeu-lhe um foral com varios beneficios, para promover o povoamento que era escasso nessas alturas. E de salientar que o apodo que os habitantes desta terra tem: "Maltezes", vem do facto de viverem em terras que foram da Ordem de Malta.

No seculo XVI, quando o rei D. Manuel I reformou os forais portugueses, tambem concedeu um foral novo a esta povoacao. O seu pelourinho com uma esfera armilar simbolo desse rei, e a prova mais evidente desse facto, presentemente desconhece-se o paradeiro do foral.
O pelourinho e constituido por uma coluna hexagonal assente em degraus, rematada por uma piramide encimada por uma rudimental esfera armilar, ainda possuia os ferros de sugeicao em meados do seculo passado.

Em frente encontrava-se a casa da camara, com a sua cadeia no andar terreo, foi vendida a particulares depois da extincao do concelho, mas ainda conserva as grades na janela aquela antiga cadeia.

Embora tivesse sido vila e concelho durante varios seculos e ate 1836, altura em que foi extinto e incorporado em Fornos de Algodres, esta povoacao nunca constituiu paroquia e sempre esteve incorporada a igreja de Santa Agueda de Queiriz.
Possuiu no entanto uma antiga capela romano-gotica um pouco retirada da povoacao, que embora ja adulterada, ainda conserva um belo portal de arco ogival. Esta capela teve outrora a invocacao de S. Sebastiao, patrono que lhe foi mudado em data que desconheco, presentemente o patrono e Nossa Senhora da Cabeca.
A seu lado encontra-se um Calvario que suponho date do seculo XVIII. Foi destruido em principios do seculo XX, por uma tempestade e reconstruido com a particularidade de a partir de entao, possuir as tres cruzes de tamanhos diferentes.

Nesta povoacao existem construcoes com gravacoes que tem sido identificadas com "cristaos-novos", portanto judeus convertidos. Embora possam ser de epocas mais recentes, nada custa admitir que os judeus que aqui habitaram, possam vir do tempo da colonizacao promovida pela Ordem Hospitalaria, que como se sabe, teve a sua primeira sede na cidade de Jerusalem.

sábado, setembro 23, 2006

INFIAS Lapide ao Deus Mercurio


Esta lapide ao Deus Mercurio, estaria junto a estrada romana, e foi colocada na fachada da igreja, aquando da sua construcao. Mercurio era o deus dos caminhantes, na mitologia romana, e lapides votivas em sua honra, era normal serem colocadas junto as estradas. Talvez uma sua reminicencia sejam as "Alminhas", que os cristaos tambem colocam junto aos caminhos.

INFIAS ou ENFIAENS

Infias e uma povoacao situada no cume da Serra da Esgalhada, a tres quilometros do centro da vila de Fornos de Algodres.
E muito provavel que ja fosse povoacao importante durante o imperio romano. Mesmo sem nunca se ter feito nenhuma escavacao a serio, tem sido descobertas; lapides, capiteis de coluna, mos, moedas e restos de ceramica desse tempo.
Ainda hoje se pode ver uma pequena lapide romana ao deus Mercurio, incrustada na fachada da sua igreja, e, no principio do seculo XX havia ainda pelo menos mais duas inscricoes desse tempo, que presentemente se desconhece o paradeiro.
Existem tambem vestigios da ocupacao romana, nas quintas das Proviegas e do Godinho.

O monsenhor Pinheiro Marques, na sua monografia; "Terras de Algodres", informava ter-se descoberto uma pedra de aparelho romano, com a inscricao: "ALBONI", sugerindo poder ter sido esse o toponimo desta localidade, durante a romanizacao.
O falecido padre Luis de Lemos, que foi abade desta freguesia, era de opiniao que o toponimo "Infias" derivaria da palavra latina "Infidelas", que identificava uma terra de infieis; portanto nao cristaos. A ser verdade quem seriam esses infieis; mussulmanos, judeus, ou pagaos? Nunca o saberemos provavelmente.
O que se sabe, e que nas inquiricoes de D. Afonso III em 1258, ja aparecem varios moradores desta localidade:"....Diago Martini, Goncalvvs Menendi, Petrus Pelagii.....".

Tambem e sabido que o rei D. Dinis em 1320, taxou a igreja de S. Pedro de Infias, em 10 libras portuguesas para a guerra contra os Mouros. Era portanto um a igreja ja com alguma importancia nesse tempo.
O referido Luis de Lemos, afirmava tambem que este patrono S. Pedro, indicia uma antiguidade que faria remontar esta igreja para o baixo imperio romano, dizendo que era usual consagrarem aquele santo, as localidades em que se cruzavam ou bifurcavam estradas romanas.
E provavel que seja verdade, de acordo com varios historiadores, aqui passava a via romana Viseu-Celorico-Idanha-Merida, havendo tambem quem afirme que essa mesma via, aqui se bifurcava na direccao a Matanca e Trancoso.

Esta povoacao foi vila e concelho, desde data incerta, mas ja o era em 1525, pois no "Cadastro da Populacao do Reino" mandado efectuar por D. Joao III, ja aparece com o titulo: "...Vila e concelho de Enfiaens...".
Manteve a sua autonomia municipal ate 1836, ano em que o pequeno concelho foi extinto e incorporado no de Fornos, que aquela data passou a chamar-se "de Algodres".
No entanto nao se conhece nenhum foral concedido a Infias, e o concelho sempre se regulou pelos "...foros e tradicoes..." do concelho de Algodres.

terça-feira, setembro 19, 2006

CAPELA DA SENHORA DA COPACABANA


A capela de Nossa Senhora da Copacabana, com o seu adro murado e um cruzeiro, com gravacoes interessantes na sua base.

A Granja da Figeirola (FIGUEIRO DA GRANJA)

A antiga vila de Figueiro da Granja, devera ter tido origem numa "villae" agricola romana, tal como a maioria das aldeias vizinhas.
No entanto dentro dos limites da freguesia, existem vestigios de povos muito mais antigos; pelo menos desde o "Calcolitico Superior", foram encontrados documentos arqueologicos, no Castro do Monte S. Tiago.
Por esta povoacao passava a estrada romana, que de Viseu e Fornos se dirigia a Celorico, onde entroncava na que vinha de Braga para Merida.
Junto ao actual cemiterio, no sitio da "Torre" tem sido descobertos varios legados romanos; capiteis de coluna, mos manuais, moedas, etc. Havendo quem afirme que ali se situou uma "viccus".(aldeia romana)
O toponimo "Torre", pode indiciar a existencia de alguma torre senhorial da idade media, ou de defeza, contemporanea da antiga via romana.

Em 1169 esta Quinta ou Granja, que pelo facto de possuir uma pequena figueira, se identificava por: "da Figairola", foi vendida por D. Afonso Henriques a Egas Goncalves, por: "....um cavalo e uma mula...".
Esse mesmo Egas, dou-a a seguir ao convento de S. Joao de Tarouca.
Em 1170 a pedido do convento, o referido rei ja nessa altura acompanhado na governacao pelo seu filho, o futuro D. Sancho I, coutou a area do que e actualmente a freguesia.
Os limites do antigo couto e mais tarde concelho, ainda hoje se encontram assinalados por cruzes de varios formatos, gravadas em lages e marcos graniticos.

Em data incerta do seculo XIII ou XIV, foi fundada a igreja desta povoacao, desmembrando o seu territorio, do da de S. Miguel de Fornos, onde ate ai eram fregueses os habitantes deste couto.
Desse tempo deve datar uma pequena imagem da Maria com o Menino, actualmente colocada na frontaria da igreja de Figueiro.
O templo actual data dos seculos XVIII e XIX, acrescentado nos principios do seculo XX, altura em foi alteada a fachada e erguida a magnifica torre sineira.
No entanto grande parte da cantaria, era proveniente do arruinado santuario da Senhora dos Milagres, da Muxagata, destruido pelos habitantes daquela freguesia em fins do seculo XVIII.

Baseando-se na antiga "Carta de Couto", (considerado o primeiro foral desta terra) ja no seculo XV D. Afonso V, elevou esta povoacao a vila e concelho. Por sua vez no seculo seguinte D. Manuel I concedeu-lhe um foral novo.
O seu pelourinho granitico, com o escudo das quinas, debruado e amarrado por uma corda e rematado por uma esfera armilar, e sem duvida comtemporaneo deste segundo foral.
Estava outrora na praca defronte a Casa da Camara, vendida em fins do seculo XIX, foi transferido para o lugar actual, junto a Capela de S. Sebastiao em 1881, aquando da construcao da estrada que mais tarde seguiria ate Aguiar da Beira.

Dignas de registo nesta povoacao, sao as suas capelas; a ja referida de S. Sebastiao e as de S. Pedro, S. Silvestre, Santa Eufemia e a da Senhora da Copacabana.
Esta capela rodeada por uma pequeno adro, foi edificada no seculo XVII por um padre missionario no Peru, proveniente de uma antiga familia existente na regiao: os "Soverais". Um seu herdeiro tambem padre e da mesma familia, legou-a com todos os seus bens aos "Albuquerques de Vasconcelos" de Fornos, que a partir desse legado passaram a usar o apelido "Soveral".
Estando em ruina em fins do seculo XX, depois de ter sido cedida a paroquia pelos proprietarios, foi restaurada, encontrando-se em perfeito estado de conservacao.

Existem tambem nesta freguesia, varias sepulturas escavadas na rocha, algumas agrupadas e outras isuladas, de acordo com especialistas dataram dos primeiros tempos do cristianismo.
Tambem dessa epoca data uma estela funeraria, que encontrando-se quase abandonada, foi colocada numa coluna em 1938, pelo Monsenhor Pinheiro Marques, natural desta povoacao.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Fornos de Algodres (a freguesia)


A freguesia de Fornos de Algodres, tambem as vezes identificada por Freguesia de S. Miguel, engloba a totalidade do que foi o outrora concelho de Fornos, que se tranformou em "Fornos de Algodres", aquando da extincao dos concelhos de: Algodres, Matanca, Figueiro da Granja, Infias e Casal do Monte, por decreto de 1836, quando os integrou neste.
Esta freguesia e composta pela vila, e pelas povoacoes de Fornos Gare, parte norte da Ponte Nova e por inumeras quintas, sendo de mais renome e populacao as das Fontanheiras, Linheiro, Lageosa e a do Alemao hoje quase um bairro urbano.

terça-feira, setembro 12, 2006

Os "FORNOS" de Algodres (I)

A actual vila de Fornos de Algodres, se nao tem idade anterior, data pelo menos desde do tempo dos romanos. A prova-lo, conservam-se ainda relativamente bem conservados, dois trocos de calcada que faziam parte de vias romanas, (Um perto da capela da Senhora da Graca, outro junto a povoacao de Fornos Gare.) foram tambem descobertas; lapides e aras romanas, (presentemente guardadas fora do municipio) e outros artefactos desse tempo.
No entanto existem indicios de povoamento anterior, relativamente perto do centro da vila e no seculo XIX, foi descoberta uma espada datando da "idade do bronze", no 'Pinhal dos Melos', que presentemente se encontra num museu em Lisboa. (seria de todo o interesse, que esses legados retornassem a Fornos de Algodres, agora que esta vila possui um museu arqueologico.)

Reportando-nos a epocas mais recentes, existe registo de aqui se ter dado uma "lide", (combate medieval) creio que anteriormente a fundacao da nacionalidade, na qual faleceu um cavaleiro medieval.
Ja durante o reinado do nosso primeiro rei, sabe-se que quando este concedeu a "Carta de Couto" a Figueiro da Granja em 1170, os colonos daquela "granja" (ou quinta) eram fregueses da igreja de Fornos.

Por essa altura esta localidade era intitulada por "Lugar dos Fornos" e era uma terra reguenga, (propriedade real) assim como eram todas as terras da regiao de Algodres, nao havendo nenhum "Senhor" proprietario para alem do rei.

O toponimo "Fornos" significa isso mesmo: fornos de cozedura. No que diferem alguns autores e no que esses fornos coziam, pois enquanto alguns dizem que eram fornos de cozedura de pao, outros entre os quais me incluo eu, afirmam que eram fornos de cozedura ceramica, o que faz muitissimo mais sentido.

Existe um dito popular que afirma que aqui em Fornos: "...Se localizavam os fornos de Algodres...." nao creio que este dito se refira a fornos de pao, pois sendo aquela vila e concelho muito mais antigos e importantes, que Fornos na idade media, custa-me muito a crer que la nao existissem fornos de cozedura de pao. O que faz todo o sentido, e que nao havendo naquela vila "barreiros" para a extracao de argila, era aqui em Fornos, que se situavam os fornos ceramicos das antigas "Terras de Algodres".

Aquando da concessao do foral de Linhares em 1169, ja existia o concelho de Algodres, com o qual Linhares tinha termo pelo Rio Mondego, neste foral nao existe nenhuma referencia a Fornos, pelo que o mais provavel era que, embora aqui houvesse uma povoacao com igreja paroquial, esta terra ainda nessa altura estava dentro do "termo" do concelho de Algodres.

Nas inquiricoes de D. Afonso III em 1258, existem referencias a Fornos e a sua igreja de: "Sanctis Michaelis", assim como ao seu abade.
Ser abadia por essa epoca, por si so, indicia alguma importancia.
O filho daquele rei: D. Dinis, que concedeu outro foral a Algodres em 1311, foi quem taxou as igrejas existentes no reino para a guerra com os mouros, nesse ano; 1320, a igreja de Sao Miguel de Fornos foi taxada em 50 libras portuguesas, a segunda taxa mais elevada da zona, logo a seguir a Algodres, o que por sua vez prova que esta povoacao ja era das mais importantes na nossa regiao.
Ha quem afirme tambem, que esse mesmo rei tera concedido foral a Fornos em 1314, no entanto nao ha conhecimento de nenhum registo documental, em que nos possamos basear para fazer tal afirmacao.
O que se sabe, e que em alguma altura da primeira dinastia, Fornos foi elevada a vila e concelho, no entanto nunca teve foral proprio e sempre se tera regulado pelos: "...foros, usos e tradicoes de Algodres...".

Tem-se tambem lido ultimamente que Fornos passou a sede de concelho em 1811, e que para esta vila passaram o concelho e tribunal da vila de Algodres, nao sei onde foram buscar semelhante informacao, porque o concelho de Algodres so foi extinto em 1836, portanto vinte e cinco anos mais tarde.
Como e que podiam ter mudado para Fornos, as instituicoes de um concelho que ainda nao tinha sido extinto? Alem disso se Fornos ja era vila e concelho pelo menos desde o seculo XIV, como e que foi elevada a vila em 1811?
Seriam muito bom que se consultassem as fontes historias, antes de se escrever algo, que pode levar em erro leitores menos atentos.

sexta-feira, setembro 08, 2006

A MATANCA ou "MATANCIA"

Incluido nas "Terras de Algodres", existiu um muito antigo concelho de nome: Matanca. Teve o primeiro Foral em 1358 concedido por D. Afonso III, confirmado por um foral novo, dado por D. Manuel I no seculo XVI.
Este concelho que presistiu ate as reformas liberais de 1836, era identificado desde a epoca medieval pela denominacao de: "Terra da Matancia".

Querem alguns autores que o toponimo "Matanca", venha do facto de neste local ter havido uma grande batalha, na qual tenha morrido muita gente.
Perduram ate hoje, lendas de lutas entre Romanos e Vandalos e entre Cristaos e Mouros, mas que sao impossiveis de provar, por falta de documentos desses tempos.
No entanto, gente menos romantica, muito mais pratica e ate talvez mais certa, defende que a origem do toponimo tem muito mais que ver com; mato, matagal; terra inculta e por desbravar. Seriam da mesma origem toponimos beiraos vizinhos como; Matela, Matados, etc.
Embora nao se possa descartar totalmente, a primeira hipoteze da origem do nome desta terra, faz muito mais sentido a segunda versao.

Esta regiao e habitada ha pelo menos 5000, pelas datacoes conseguidas atravez dos achados da Anta das Corgas, ou Casa da Orca das Corgas, como o povo identifica este monumento megalitico. E no entanto provavel, que tenha tido um retrocesso habitacional na alta idade media. Tem sido descobertos alguns indicios de que foi habitada pelos romanos, havendo quem afirme que passava por esta antiga vila, uma estrada construida por essa gente que ligaria Viseu a Trancoso.

Servindo de entrada a povoacao, existem hoje duas belissimas pontes medievais, mas provavelmente de fundacao romana. Uma com um arco sobre a Ribeira das Forcadas e outra de dois sobre o Rio Carapito, perto da qual ainda presistem restos de uma calcada romana.

A sua Igreja Matriz que datara dos seculos XIII ou XIV, e de invocacao de Santa Maria Madalena, ja era uma igreja importante no tempo do Rei D. Dinis, que a taxou para a guerra contra os mouros em 40 libras. Esta igreja embora modificada no seculo XVIII conserva ainda o seu portal romanico, nela se podem ver ainda algumas pedras sigladas carateristicas da epoca medieval.

Desses tempos da primeira dinastia, deve datar tambem a ermida de Santa Eufemia, situada perto a povoacao da Fonte Fria. E uma capela romano-gotica com um portal ogival e cachorrada com figuras animalescas na capela mor.

O pelourinho desta antiga vila datara do seculo XVI, sendo contemporaneo do segundo foral, e tipo gaiola, embora de arquitetura invulgar.

Junto a aldeia das Forcadas, encontra-se uma necropole que datara da alta idade media, conserva mais de duas dezenas de sepulturas escavadas na rocha, com formas ovaladas e retangulares, o que por si so prova a importancia destas terras, ja nesses tempos de antanho.

Alem dos monumentos mencionados, existe na area do antigo concelho e hoje freguesia, a belissima capela barroca de Sao Miguel, situada na estrada da Fonte Fria. E a pequena capela da Senhora dos Milagres, com portal romanico, junto a ponte do Rio Carapito.

sexta-feira, setembro 01, 2006

SETEMBRO - Festas e romarias

Mensalmente irei divulgar, (coisa que deveria ser o "site" do municipio a fazer) as festas e romarias que se realizam no concelho de Fornos de Algodres.

- 8 de Setembro (Dia das sete Senhoras) SENHORA DOS MILAGRES

Realiza-se em sitio ermo, no termo da Muxagata a antiquissima e tradicional romaria, da Senhora dos Milagres. Foi uma das maiores romarias a nivel regional e juntava (ou ainda junta) gente de varios concelhos vizinhos: Celorico, Gouveia, Mangualde, Penalva etc, Para alem dos naturais.
A cerca de vinte anos ainda era normal juntarem-se no recinto dezenas de autocarros, e nesse dia, paravam num apeadeiro proximo constuido para o efeito, todos os comboios regionais.
Sendo uma romaria Mariana, consiste do normal; rezas, promessas,missas e procissao.
O que torna (ou tornava, ja la nao vou, a mais de dez anos) esta romaria peculiar ou diferente, eram as chamadas romarias das ovelhas; sao normalmente logo pela manha e consistem do seguinte: O pastor enfeitava as "astes" dos animais com flores coloridas, naturais ou de papel e pintava os animais com cores variadas, dirigia-se entao para o santuario, parando com o seu gado em frente ao portal principal, onde fazia as suas oracoes, findas estas, dasatava com seus animais a fazer umas corridas desenfreadas em volta da capela, que normalmente eram tres voltas, mas poderiam ser mais de acordo com a "promessa".
Eram interessantes de ver estas romarias, o unico senao era a quantidade de po, que estas correrias provocavam.
Nao sei pela distancia, se ainda se realizam estas romarias de ovelhas, tambem cada vez ha menos, rebanhos e fe, no entanto seria interessante que nao terminassem.
Junto do recinto, presentemente com uma estrada pavimentada, realiza-se ainda uma pequena feira, tambem com naturais tendas de comes e bebes. No entanto sao (ou eram) a abertura dos "farneis" finda que era procissao, os momentos de mais pura descontracao e interaccao entre os participantes; todos comiam e bebiam, fazendo questao de convidar os vizinhos a partilhar consigo.
Que saudades eu tenho desta romaria, que comecei a frequentar desde bem pequeno.

Nesse mesmo dia realizam-se tambem festas e romarias com a invocacao da Senhora dos Milagres, nas freguesias de Maceira e da Matanca.

- 16 de Setembro, SANTA EUFEMIA.

Em sitio tambem ermo e junto a estrada, (pavimentada) que vai para a pequena povoacao da Fonte Fria, na freguesia da Matanca. Realiza-se talvez neste momento, mais concorrida romaria concelhia: Santa Eufemia ou "Senhora Santa Eufemia" como o povo a intitula, foi uma Virgem Martir dos primeiros tempos do cristianismo, em quem a gente da nossa regiao tem muita fe; dizem que e a protectora dos "males ruins".
Tambem esta romaria junta muita gente, do municipio e dos vizinhos, de Aguiar da Beira e Penalva do Castelo.
Tambem no recinto em que relativamente agregaram um coreto, se realiza uma pequena feira.
Na Santa Eufemia tambem se realizam as anteriormente referidas "romarias das ovelhas". Alem disso e normal fazerem-se promessas em volta da capela, (algumas de joelhos) e oferecer a Virgem Martir, ramos de cravos.
Para os como eu, amantes de historia e patrimonio, devo notar que em meu ver, a capela desta invocacao, e talvez o templo romano-gotico memos modificado do concelho de Fornos, conserva um portal "gotico" sob um alpendre e a cachorrada com registos animalescos na capela-mor. (pena que gente menos atenta, em re-construcao recente, tenha pintado as juntas das paredes e, tenha limpo as pedras com jacto de areia, tendo com isso destruido muito das formas da cachorrada.)

- 29 de Setembro, SAO MIGUEL, Feriado concelhio.

Sendo um santo ja venerado na Matriz de Fornos desde pelo menos o seculo XIII (inquiricoes de D.Afonso III, 1258) faz talvez muito sentido, que se tivesse decidido tornar este dia, o feriado concelhio.
O Sao Miguel, e um dos Arcanjos mais reverenciados, tanto por judeus como por cristaos, pois foi ele que tera derrotado, um outro anjo poderoso: "o Lucifer e o tera encerrado no inferno"
No entanto na nossa regiao, este Santo esta muito ligado a agricultura, pois era neste dia que se faziam os contractos e se pagavam as rendas das terras, e, era tambem a partir deste dia, que passavam a nao ser obrigatorias, as merendas.

Celebra-se este santo na Vila de Fornos com misa e procissao, outrora realizava-se tambem uma feira franca, (nao sei por se nao realiza ainda!) e e, neste dia que a autarquica costuma obsequiar a terceira, idade, com um grande almoco no mercado municipal.

Para alem das festas em Fornos de Algodres, realiza-se tambem na Muxagata a festa a Sao Miguel patrono da aldeia, com os habituais arraiais, e festas religiosas na Paroquial daquela freguesia.

Se por acaso nao tiveram nada importante para fazer, venham conhecer melhor "Algodres e as suas terras", nestes dias festivos.

terça-feira, agosto 29, 2006

"O ALGODRES"


De acordo com uma lenda, continuada pela tradicao popular, este busto esculpido numa pedra, colocada na parede posterior da igreja de Santa Maria de Algodres, foi o fundador desta povoacao, no primeiro seculo na era crista.
Aparenta ser um clerigo e podera ter sido algum prelado, da epoca romana ou visigotica.

A escultura e de facto antiga, mas podera nao ser tao antiga como essas epocas, mas nao havendo documentos a comprovar este facto, temos que dar algum credito as tradicoes populares, que tem sempre algo de verdade.

O que de facto se sabe, atravez das inquiricoes de D. Afonso III (1258) e que esta terra teve carta de povoacao, concedida por: "Donnus S. Menendi" em epoca anterior ao ano de 1169, pois nesse ano no foral de Linhares se dizia que: "os vossos termos sao estes(...) e pela terceira parte, como parte pelo Mondego com Algodres".

Nao creio que este; "Donnus S.(Soeiro) Menendi(Mendes) tivesse sido nenhum prelado, o mais provavel era ter sido algum "Rico Homem"; portanto fidalgo medieval.

"ALGODRES" a origem de um nome

Tanto quanto tenho conhecimento, o toponimo "Algodres" e antiquissimo e so existem duas localidades em Portugal que o usam, as duas no actual Distrito da Guarda: Algodres, antiga vila e concelho, actualmente freguesia do concelho de Fornos de Algodres, e, Algodres, freguesia do actual concelho de Figueira do Castelo Rodrigo.

Segundo nos informa Pinheiro Marques (Terras de Algodres, 1938) o Padre Luiz Cardoso no ("Dicionario Chorografico...") afirma que este toponimo deriva da palavra latina "algodrium", no entanto essa palavra nao aparece em nenhum dicionario latino conhecido.

Pinho Leal (LEAL, 1873) diz-nos que antigamente esta terra chamava-se "Algodrons" e mais tarde "Algodes, opinando que seria a corrupcao do arabe "Alcoton" = Algodao. No entanto algodao em arabe e ALCUTUM e nao ALCOTON, pelo que a evolucao logica seria Alcoitao e nao Algodres. Alem disso, "Algodres" com esta mesma grafia aparece ja em 1169, (foral de Linhares) sendo ja nessa altura concelho, e, nas inquiricoes de D. Afonso III de 1258.

O falecido Padre Luiz de Lemos (ensaio de monografia S/D) diz que a evolucao do toponimo, vira das palavras; AL (celtica usada por Virgilio) ou AL artigo arabe, com o perfixo: CORTEX, que significa cortica ou casca de arvore, Assim AL CORTEX - ALCORTEX - ALGODREX - ALGODRES.

Mais fundamentada sera no entanto a proposta de: Jose Pedro Machado, (MACHADO, 2003) Segundo ele "Algodres" tera origem arabe, derivando de: AL GODOR, plural de GADIR, palavra que significa; lago, lagoa, rio, ribeiro ou pantano. E da mesma opiniao a professora: Maria J. V. Molins, da Universidade Complutense de Madrid, quando se refere a Algodres (Figeira do Castelo Rodrigo) dizendo que significa "Las Lagunas".

A juntar a todas estas teses, quero eu proprio apresentar outra hipotese: Algodres derivara da palavra latina "algor" que significa sensacao de frio intenso, sendo a evolucao a seguinte: ALGOR - ALGORES - ALGODRES. Pode ser so imaginacao minha, mas nao se tendo ate hoje provado nenhuma destas teorias, penso que nao sera de descartar totalmente.

Quanto as duas primeiras opcoes, na minha humilde opiniao, devem ser descartadas pelas seguintes razoes: O cultivo de algodao e impraticavel nas "terras de Algodres" por ser uma cultura de climas quentes e esta regiao e uma regiao fria, e, era-o muito mais ainda, na epoca romana ou arabe.
Para ser um enterposto comercial desse producto, como sugerem alguns, Algodres teria que situar-se junto a uma via romana. Acontece que ate hoje, nunca foi descoberta nenhuma evidencia documental ou arqueologica que nos possa indiciar essa hipotese, pelo que considero que a relacao de Algodres com algodao uma pura fantasia.

Ja a relacao deste toponimo com cortica, faz mais sentido, pelo facto de ainda hoje existirem alguns sobreiros na regiao, sabendo-se que outrora antes da expansao do pinhal, havia muitos mais. Alem disso incluidas no antigo concelho de Algodres e desde o seculo XII existe a povoacao de "CORTICOLO" (o ultimo C tem cedilha) e desde o seculo XIV a aldeia de Soveral, que tambem as vezes se grafava e grafa: "Sobral". Tanto uma como outra povoacao, estao relacionadas com cortica e sobreiros.

A relacao de Algodres com lagoas ou cursos de agua, tambem tem algum sentido, pois as "Terras de Algodres" no tempo de D. Afonso Henriques eram delimitadas com Linhares, pelo Rio Mondego, (o maior rio portugues) nessas alturas muito mais caudaloso, e, eram cortadas por varios ribeiros e ribeiras ( Cortegada, Vila Cha, Figueiro, Cortico, Rancozinho, Infias, Canharda, etc. Havendo tambem por essas alturas varias lagoas. Ainda hoje conservam o nome de "Alagoas", varias terras ferteis relativamente perto desta antiga vila.

Quanto a minha tese, baseia-se no facto da situacao geografica da antiga vila e regiao: um planalto a cerca de 7OO de altitude, varrido pelos ventos norte e "suao" = Leste, com caidas de neve e geadas frequentes, que tornam os invernos bastante severos ainda hoje, quanto mais a mais ha cerca de mil anos, altura da provavel fundacao da localidade.
Alem disso ainda hoje, o planalto de Algodres e identificado como: "terra fria".

segunda-feira, agosto 28, 2006

APRESENTACAO

Inicio hoje, um projecto mais virado para a divulgacao do meu municipio.
Dirao os meus amigos, este tipo esta doido: "entao nao lhe chegavam ja dois blogs e vai iniciar outro".
Se calhar ate estaram certos mas, o: "Judeus...." estava a sair do tema inicial, e se e verdade que tenho ainda muito "pano para mangas" queria que esse blog continua-se mais especifico. Quanto ao "Aqui d'Algodres" e mais sobre o que eu vejo mal na minha regiao e nao so.
Pelo explanado decidi iniciar este, e com ele, divulgar o que de bom ha, pelas minhas terras.
A cor verde, tem muito que ver, com a cor que a nossa regiao perdeu, nestes ultimos 25 anos, devido ao flagelo dos incendios, cor essa que eu adorava voltar a ver um dia. Alem disso embora nao seja fanatico, pendo um pouco para os verde brancos, do bairro de Alvalade.